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“Please Don’t Touch”, exposição fotográfica da cultura Lowrider, ocupa a Matilha Cultural

A cultura Lowrider chega à Matilha Cultural com a exposição do fotógrafo e videomaker paulistano Rafael Ambrosio. A ocupação “Please Don’t Touch”, que abre no dia 18 de maio, apresenta 11  anos de registros do movimento no Brasil, países europeus e EUA através das lentes de Rafael. Com objetivo de mostrar como a cena é conduzida nesses locais, traz a verdadeira ideologia e o que o faz crescer cada vez mais desde o seu início, ainda na década de 50, quando os Mexicanos passaram a personalizar seus carros com pinturas e rebaixamentos. O Lowrider vai além da estética, questionando desde o seu princípio o capitalismo ao reutilizar e dar novas funções e caras para automóveis usados e antigos, geralmente descartados pelo sistema que insiste no status do veículo novo.

Geralmente, o termo “Don’t Touch” (Não Toque) é utilizado em adesivo de para-brisa de carro, indicando para as pessoas não tocarem. Para o fotógrafo, a expressão vai além do impacto materialista de danificar o veículo: “É para deixar claro que não toquem na minha cultura, não mexam, não sujem, não amassem e não apaguem a minha história”, confirma. No evento de abertura, que acontece dia 18 de maio, a partir das 16h, teremos participações de renomados nomes da cultura Lowrider no Brasil e da street music, como Blenzer Low Rider, Funk Buia, DJ Novset, Mr. GrandeE e DJ Julia Weck.

Aos 29 anos, Rafael é considerado fotógrafo precursor do movimento no Brasil. Seu primeiro contato foi aos dez anos com os vizinhos do Capão Redondo, São Paulo – SP, que já estavam inseridos na cena. Aos 15 começou a registrar as atividades ainda de maneira amadora, mas ao chamar atenção com  seu talento, foi indicado para uma oficina de audiovisual em uma ONG na Zona Sul da capital paulistana. Desde então, usa essas ferramentas de trabalho para também registrar e documentar sua vivência dentro desse universo paralelo que é a cultura Lowrider.

Rafael iniciou o curso de Cinema na faculdade Anhembi Morumbi, estou Rádio e TV no Canal Futura em um projeto parceiro com a fundação Roberto Marinho. Fez diversos cursos livres em renomadas instituições locais, como Instituto Criar, Senac, Instituto Tomie Ohtake, Escola de Cinema e DRC. Em 2016 participou do documentário “Lowrider Brasil” (vídeo no final desse artigo), dirigido pelo francês Stephane Benini, selecionado para oito festivais de cinema internacionais e premiado em quatro deles (Arizona Short Film Festival; Digital Griffix Film Festival; South Film and Arts Academy Festival; London Motor Festival 2016). Em 2017 recebeu o convite para expor seu trabalho em Clermont Ferrand, França. Neste mesmo ano teve seis fotos de seu projeto publicadas no livro “The World Atlas of Street Fashion”, de Caroline Cox, em Londres. Já em 2018, foi premiado em uma exposição fotográfica em Los Angeles pela “Lowrider Magazine”, a maior revista da cena no mundo.

A exposição “Please Don’t Touch” ocupa a galera da Matilha Cultural até o dia 8 de junho.

Serviço:

Exposição “Please Don’t Touch”, de Rafael Ambrosio, na Matilha Cultural

Endereço: Rua Rego Freitas, 542 – República, São Paulo, SP

Abertura: 18 de maio, entre 16h e 21h

Datas de visitação: Entre 19/05 e 08/06

Horários de visitação: ter. a sab. das 12h às 22h; dom. das 10h às 20h

Entrada Colaborativa

LOWRIDER BRASIL from Stephane Benini on Vimeo.

Tríptico Ocupa Matilha

TrípticoOcupaMatilha

Matilha Cultural recebe ocupação do coletivo Tríptico

Coletivo composto por Caligrapixo, Senk e Sator expõe quadro inédito criada pelos três e obras individuais. Com curadoria de Juliana Akina, exposição “Tríptico” apresenta imersão nos diferentes universos dos artistas com o objetivo de dar força à cultura urbana e independente. A ocupação acontece de 11 de abril a 10 de maio.

A parceria com a Matilha Cultural, que completa 10 anos em 2019, reforça os semelhantes objetivos de dar força e público para a cultura urbana e independente. “É respeitando o traço, o gestual e as cores de cada individualidade que se forma este coletivo. Já no primeiro contato se percebeu a imensa pluralidade no entendimento e experiência de cada integrante de Tríptico, mostrando diferenças, congruências e relações nas produções artísticas por eles exibidas”, define a curadora Juliana. Desde setembro de 2018, os três artistas criaram o coletivo Tríptico a partir da vontade de ter um espaço de produção para trocar experiências e técnicas entre eles e, acima de tudo, propagar seus trabalhos e atingir cada vez mais pessoas. O ateliê fica localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo – SP.

CALIGRAPIXO, nome artístico de Marcos P. da Silva, atua desde 1996 nas ruas de São Paulo como pixador. Conhecido pelo diferencial da sua caligrafia, criada por meio de estudos e pesquisas profundas da tipografia dos pixos paulistanos, o artista segue ao máximo o padrão de arquitetura da cidade e busca se fundir à paisagem. Em seu trabalho, desenvolveu quatro alfabetos distintos, que são considerados diferentes do que é visto pelas ruas por serem muito estilizados, uma vez que todas as letras juntas, em um emaranhado de palavras, se tornam pinturas abstratas. A proposta principal de Caligrapixo é instigar o espectador a decifrar o que foi escrito como um todo, fazendo-se notar a rua de uma outra forma e tornando-a presente no nosso cotidiano.

De São Mateus, extremo leste de São Paulo, Fabiano Serencovich, o SENK, é publicitário de formação, mas dedica a carreira às artes. Apesar da identificação pictórica urbana com o universo do street art, suas obras são pautadas na história de sua família – do norte de Minas Gerais, região de sustento do campo, com agricultura de subsistência, criação de gado, garimpo – e no ambiente rural do Vale do Jequitinhonha. O artista costuma ilustrar personagens do sertão, em cenários locais, com alta dose de surrealismo. A aparência humilde contrasta com o uso de folhas de ouro, prata e bronze, em representações estilizadas da vida rotineira.

Nascido em São Paulo, SATOR desenha desde a infância. Aos vinte anos se mudou para a Europa, onde viveu entre Espanha, Inglaterra, Alemanha e Suíça, trabalhou nas mais diversas áreas, mas nunca abandonou a arte, aproveitando para se desenvolver e trazer para as paredes, papéis e telas seus sentimentos, noções e visões da sociedade. O desenhista recria a realidade e foge do senso comum com a influência do caos urbano onde foi criado e ainda vive – a partir disso, em suas obras trazem a fragmentação em linhas e traços orgânicos que confundem formas abstratas e reais, explorando diferentes dimensões. Com pitadas de simbolismo, religião, lisergia, sensualidade, cores e transparências, busca direcionar o público a um momento de reflexão sobre a condição social e humana.