Matilha Cultural realiza debate sobre condição dos refugiados e representação deles na mídia

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A Matilha Cultural realiza no dia 8 de julho um debate sobre a situação dos refugiados no Brasil. O evento também aborda como eles são representados nos meios de comunicação de massa e contará com as presenças de Omana Petench, refugiado do Congo e fundador da ONG MUNGAZI, que dissemina a cultura africana, Silvana Nuti, diretora do documentário A linguagem do Coração (que retrata a história de refugiados em São Paulo, dentre eles Omana), Eliane Caffé, diretora de Era o Hotel Cambridge e  Marcelo Haydu, da ADUS (Instituto de Reintegração de Refugiados). Antes das discussões sobre o tema, às 18h,  será apresentado o documentário A linguagem do Coração. O filme tem meia hora de duração.

Os refugiados são tema ainda da programação de julho da Matilha Cultural. No Cine Matilha, há filmes que abordam a temática de refugiados e assuntos correlatos, como Era o hotel Cambridge, A linguagem do coração, Fogo no Mar e Clash (triller sobre os protestos pró e anti-muçulmanos no Egito).

Também está em exibição até o dia 05 de Agosto a exposição Infância Refugiada, da fotógrafa brasileira Karine Garcêz, que retrata crianças e adolescentes palestinos que vivem em campos refugiados na Turquia, Síria e Egito.

 

Minibiografia dos Mediadores:

Silvana Nuti

Silvana Nuti é jornalista e cineasta. Trabalhou como repórter e editora na Folha de S.Paulo, colaborou como roteirista freelancer na Itália e em Paris, e, em Nova York, aprofundou-se em técnica de roteiro e linguagem cinematográfica na universidade The New School. Foi sócia-fundadora da Redalgo, empresa de games educativos, como Operação Cosmos, o qual ganhou o prêmio "Nave Oi Futuro, de melhor jogo educativo brasileiro, em 2008. Dirigiu curta-metragens de ficção e dois documentários, sendo A Linguagem do Coração, uma coprodução entre a Sol Filmes e a Atomica filmes, no qual assina roteiro e direção. Em 2016, o filme foi exibido no MIS (Museu da Imagem e do Som), Cine USP Maria Antônia e Cine Matilha, em São Paulo; nas Mostras Internacionais, Cine MigrArte, em Brasília, e Linhas Imaginárias, em Belo Horizonte, e, em 2017, foi exibido no Ciclo de Cinema e Debates: Direitos Humanos e Origem Nacional, promovido pelo Memorial da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, e continua na rota dos festivais nacionais e internacionais.

 

Eliane Caffé:

 

Eliane Caffé é graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985) e cursou o mestrado no Instituto de Estética y Teoria de las artes - Universidade Autonoma de Madrid, Espanha (1991/92). Iniciou sua carreira de cineasta com os curtas O narizArabesco Caligrama, premiados no Brasil e em Festivais Internacionais. Em 1997, dirigiu seu primeiro longa-metragem Kenoma, que foi exibido na 55th Mostra La Bienale di Venezia (Prospective) e ganhou vários prêmios, incluindo o “Soleil d’or” como melhor filme no XX Biarritz International Film Festival / França. O segundo longa Narradores de Javé recebeu também vários prêmios no Brasil e no exterior, entre os quais se destacam: melhor filme no 30º International Independent Film of Bruxelas, melhor filme e melhor roteiro no Festival de Cinéma des 3 Ameriques (Quebec / Canadá / 2004), 'Mano de Oro” como melhor filme no Festival Internacional de Cine de Punta Del Leste/ 2004. Seu terceiro longa-metragem O sol do meio dia (2010) ganhou o prêmio de melhor filme pela crítica no 33ª Mostra Internacional de São Paulo. Em 2016 finaliza o longa metragem Era o Hotel Cambridge. Na área de vídeo e TV realizou a micro-serie O louco dos viadutos (TV Cultura/ 2009), além de documentários experimentais MilÀgrimas por nós e Ceu sem eternidade. Paralelamente, coordena oficinas de audiovisual em diferentes zonas de conflito em São Paulo e interior do Brasil.  

 

 

Karine Garcêz

 

Convertida ao islã, meu primeiro contato com o Oriente Médio foi em visita à Arábia Saudita. Lá cumpri o Haji, a peregrinação em torno do Kaaba, repetindo passos dos profetas Adão, Abraão e Mohamed, um dos pilares de nossa fé. A vontade que senti de "congelar o instante", quando vi 5 milhões de pessoas, de diversas cultura em torno de um único sentimento me despertou para a fotografia.

Em 2012 fui à Faixa de Gaza, onde tive minhas primeiras aulas de fotografia. Em 2014 e 2015 viajei

para Síria, Líbano e Turquia, desta vez com um pouco mais de conhecimento na arte de fotografar,

mais que isso, o conhecimento da cultura local, importante para que possamos ter mais flexibilidade de trabalho. Isso me fez refletir sobre como o Oriente Médio é representado pela espetacularização midiática. E, consequentemente, os refugiados também são alvos dessa abordagem.

 

Omana Petench

 

 

Nascido na Republica Democrática do Congo, o professor universitário Omana Petench criou uma Organização para ajudar a denunciar violações contra mulheres e crianças em seu pais. Com isso, virou adversário do governo e participou de uma Revolta contra o Estado, sofreu perseguições, tortura, prisões e sequestro, até cruzar a fronteira em busca de proteção. Sua casa no Congo foi invadida e sua filha mais velha, morta. Refugiado no Brasil, deixou mulher e cinco filhos em Uganda. Conseguiu se reencontrar com a família em 2016, após três anos e meio de separação. 

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