Lançamento do Documentário de Dança como Intervenção urbana na África.
“DO WE NEED COLA-COLA TO DANCE?”
Nesse dia acontecerá também uma conversa com Qudus Onikeku integrante do coletivo realizador do filme, YK Projects.
Bailarino Contemporâneo e Perfomer da nova geração nigeriana, Onikeku reside na França é Diretor Artistísco do encontro bianual de dança e artes performáticas “Ewa Bamijo” em Lagos, Nigéria.
Segunda 08/06 as 21:00h
Duração: filme 54min (+ conversa)
Ingresso gratuito.
Tikets distribuidos 30 minutos antes.
(evite chegar encima da hora)
Projeções:
ter, qua e sex dias 09.10,12 as 21hs
sab, dia 13, as 18hs
Local: MatilhaCultural
R. Rego Freitas 542
no Centro – em frente a Igreja da Consolação
fone: +55 11 3256.2636
http://www.matilhacultural.com.br
Alguns Links
Trailers do film
http://ykproject.blogspot.com/2007_07_01_archive.html
Blog de Qudus Onikeku
http://qudus.blogspot.com/
Mais sobre YK Projects e Ewa Bamijo Festival
http://www.blog.ykprojects.com/
MatilhaCultural
http://www.matilhacultural.com.br/
O trabalho artístico teve duas partes: A primeira fase foi uma turne de uma performance de rua, em seis países da África (Nigeria, Egito, África do Sul, Moçambique, Kenya e Camarões), com um time de cinco pessoas: 2 performances, 1 artista sonoro, um fotógrafo e um video artista. A segunda fase, foi a volta ao estúdio na França com o material audivisual, para a edição do documentário.
O projeto gira em torno de performances de dança feitas, em sua maioria, em espaços públicos, de forma não oficial, com pouca ou sem nenhuma divulgação, sem nem saber ao certo as condições dos espaços onde se dariam tais performances, numa espécie de retomada dos antigos teatros ambulantes.
Esse “espetáculo”, mais do que improvisação é para ser uma alternativa ao tradicional formato de dança em teatros, palcos, espaços fechados, criando seu próprio contexto nas ruas, mesmo porque em muitas dessas cidades há poucos espaços de arte e audiência e, em todo o continente, a prática de movimentos alternativos ainda não ocorre de forma difundida.
O projeto é uma expressão artística e uma declaração do engajamento em uma estrutura em desenvolvimento, assim como a responsabilidade com a mudança enquanto artistas.
A proposta foi levar dança contemporanea para espaços não-convencionais, locais onde a crescente rede de arte dificilmente chega, atravessando assim os limites existentes entre artistas e público e contribuindo para a formação de iniciativas locais.
Uma das metas foi transpor as fronteiras das quatro paredes do teatro tradicional, indo ao encontro das populações. Houve uma tentativa de distribuir essa pesquisa em seis locações similares em cidades da Africa (Lagos, Cairo, Johannesburg, Maputo, Nairobi e Yaoundé), organizando happenings em espaços públicos, passando por mercados públicos, arredores de universidades, praias, pontos de onibus, assim como esquinas comuns das cidades e outros possibilidades inimaginaveis para acomodar esse tipo de manifestação. Um critério importante que foi colocado em consideração na escolha dos espaços, foi fazer com que os happenings viajassem de localidades marginalizadas para bairros ricos, como também centros intelectuais como universidades, com o objetivo de obter uma visão mais ampla.
A ideia do projeto ainda ecoa, e no seu jeito especial, inspira uma série de profissionais que vêem nisso um passo importante no caminho de um desenvolvimento lógico e concreto.
A segunda fase, que consiste no documentário, foi prioritariamente dirigido para questões que afetam o mundo das artes. Sua audiência primordial é composta por jovens criadores e estudantes de arte ao redor do mundo, mas que de forma nenhuma limita sua capacidade de influenciar outras esferas e aspectos do desenvolvimento humano, principal razão de o filme já ter transitado por diferentes horizontes, como festivais africanos de filmes, festivais de dança, bibliotecas, escolas, museus, centros culturais e comunitários, etc.
Este filme apresenta dança, entrevistas, pessoas e política, unindo entretenimento com conhecimento, debates, propostas socio-políticas e políticas de cultura, estando principalmente empenhado em buscar mudanças reais nas comunidades específicas atraves da arte e da cultura.
Todas as ações, estéticas e pragmáticas, e histórias exploradas neste filme, estão inscritas em questões de fundamental importância para a liberdade dos jovens profissionais.
“Talvez esse filme envie mensagens, atinja a juventude e jovens criadores no ponto de sua “fome”. A nova geração está com fome de vida. Nós desejamos quebrar amarras e atravessar a linha criada por gerações anteriores. Nós nos jogamos em tudo o que aparece, ficamos confusos e não sabemos a que nos agarrar: religião, cultura, mídia? Nós nos embriagamos com a nova cultura e migramos facilmente para a vida fácil, fugindo de nossas responsabilidades sociais e isso conduz para uma destruição dos “eus anulados” que vivem entre/em nós. Por isso, mesmo lutando pela liberdade, é necessário ter uma linha guia.”
“Este projeto é primeiramente uma solução imaginada para uma questao altamente pessoal, que incomodava minha alma enquanto um jovem criador africano e que se assemelha ao pensamento de muitos jovens deste século XXI, e quebra as barreiras entre o artista e seu público e vice-versa.Eu ACREDITO profundamente que exite uma conexao poderosa entre artistas de todos os tipos e direitos humanos. Artistas e ativistas algumas vezes, se levantam contra o status quo para dizer o que deve ser dito em nome da humanidade. Artistas estão liderando uma voz pela liberdade. Liberdade de expressao é vital para o trabalho de um artista e os movimentos ativistas dos direitos humanos também trabalham para proteger isso.”
“Nós experienciamos arte juntamente com nosso público, isso nos faz sentir humanos e nos leva a lutar pelos direitos dos outros humanos. Todos tem voz e deveriam usá-la… Ninguém vê o mundo exatamente do mesmo jeito. Ninguém vai entender como eu vejo o mundo, ao menos que eu expresse isso de alguma forma. Os momentos interativos com o público, foram um modo de chegar perto deles. Eu estava pronto para ouvi-los, assim como eles estavam prontos para me ouvir. Isso pode despertar suas consciências de um jeito que talvez movimentos políticos e ativistas não consigam, dando confiança para pessoas se aproximarem e perceberem que muitas vezes pensam e sentem o mesmo, apesar de acharem que estão sozinhas.”

CURRICULO de QUDUS ONIKEKU
Qudus Onikeku se graduou na Escola Superior Nacional de Artes Circenses (França), tendo se formado como bailarino e acrobata com bolsa integral do governo francês. Simultaneamente a sua graduação, ele foi artista residente da Gongbeat Artes, em Lagos (Nigéria). Por mais de uma década,Qudus esteve presente na cena coreográfica de Lagos, fazendo parte da nova geração de criadores que brotou na África. Conhecido na Europa, nos EUA, América Latina e no Caribe pelos seus solos, escritos e projetos de investigação.
Ele percorreu Nigéria, Madagáscar, Croácia, Alemanha, e Grã-Bretanha com Alajotas Dance Company (Ibadan), entre 2001 e 2003, com a criação de ONIDUNDUN e ILE. Em 2004, recriou de um duo intitulado AGA OBA com Awoulathe Alougbin, com quem percorreu a Bélgica. Participou de trabalhos de Heddy Maalem (França), sobretudo em Primavera Negra (Black Spring) e o Rito da Primavera (The rite of spring), excursionando extensivamente pela África, Europa e EUA, entre 2004 e 2008.
Sua primeira ação como coreógrafo, foi com Face Perdida (Lost Face), que excursionou pela Nigéria, Benim, França e República Dominicana entre 2004 e 2006, que também foi parte de uma coleção de DVD filmado por Donald Amadji e Pascal Agnangnan, para ORTB, e Gilles-Ivan Frankignoul para SOPAT.
Participou de um projeto de vídeo-dança, Luta Roforofo (Roforofo Fight), produzido por Grégoire du Pontavice, uma fusão entre a dança e a música de Fela Kuti, que entrou para um Fela-Competition onde foi indicado ao prêmio principal. Além disso, dirigiu e produziu um documentário intitulado “Precisamos de cola-cola para dançar?”,após uma visita ao continente africano, num projeto experimental de pesquisa do espaço público. O projeto ganhou o reconhecimento do governo francês, sendo nomeado no Programa Envie d’agir programa, no Défi jeune e no programa Juventude em Ação iniciativa, financiado pela Comissão Europeia. O projeto foi também subsidiado pela Fundação Príncipe Claus, da Holanda.
O filme foi projetado em Lagos, Massachusetts, Kinshasa, Chicago e participou do festival online global 24hours24Artist, no Texas.
Qudus recebeu vários premios, desde 2000, sendo o mais recente de Bailarino do Ano, pela FUTURE AWARDS 2009 (Nigeria).

SOBRE YK Projects:
O documentário “Precisamos de cola-cola para dançar?“ (Do We Need cola-cola to Dance), é resultado de um projeto maior de pesquisa realizado pela YK Projects. Young Kings Projects é um coletivo de artistas da nova geração Nigeriana, residindo ou estudando na França.
Em Julho de 2007, alguns componentes deste coletivo viajaram por seis países africanos (Nigeria, Egito, África do Sul, Moçambique, Kenya e Camarões), com objetivo de realizar uma pesquisa explorando o engajamento dos artistas africanos do começo do século XXI, na discussão e desenvolvimento global da arte, principalmente sob o aspecto de formação de público e melhorias na estrutura e rede do mercado de arte na África, de uma forma não submissa aos moldes europeus ou norte-americanos de arte, mas preocupado com o entendimento dos próprios valores e de uma consciência da nova africanidade.
Dois dançarinos, um video artista , um fotografo e um técnico de som , realizaram intervenções em espaços públicos nos países africanos. O grupo buscou respostas para perguntas que perpassam as mentes de jovens criadores africanos hoje, relacionadas a busca do conhecimento das próprias origens.
“O que é um artista? Quem é e onde está o seu público? Qual a percepção que se quer despertar enquanto um artista? Qual nossa identidade? Qual é a nossa postura na discussão global? Por que estamos a estudar no exterior, sendo que nosso público está na África? Os valores europeus não correspondem a nossa realidade, então como utlizar nosso conhecimento na volta a nossa terra natal após estudar no exterior? Que etapa é necesssário percorres antes da volta? Quais são as soluções? Onde estão os produtores? Qual é a estrutura no lugar para desenvolver um mercado local? Onde está o governo , onde está engajamento sócio-político na África? Por que os artistas são pobres? Quando é que vamos parar de correr para o oeste para garantir a sobrevivência dos nossos talentos? Qual será o ritmo do Africanos nos próximos 50 anos? O que deve ser feito hoje para evitar um futuro desastroso para nós e para os filhos de nossos filhos? Vimos o posicionamento e argumentação dos FELAS, dos Mahfouz, dos Soyinkas, dos Fanons, dos Senghors etc. A partir disso, qual deve ser nosso posicionamento para que nossa arte não passe de pura imitação? “
“Este projeto inaugura uma nova visão e desencadeia uma consciência da nossa africanidade neste século 21. Uma consciência de que por muito tempo africanos são, não apenas deixados a margem pelo poder da potência capitalista norte Americana, onde tudo o que é bling bling é o que importa, deixando-nos com ilusões, acreditando que o verde do lado de lá é melhor,. Focando todas as atenções no desnecessário, enquanto o essencial, que passa por nós, é deixado de lado. É necessário mudar essa realidade insconsciente que dia após dia faz com que os jovens africanos vivam sob tensão dos cães que comem os mais fracos.”
“Temos um ponto de vista sobre essa situação, que oprime nossa geração, mesmo antes do nosso nascimento. Uma visão que discorda de alguns dos messias do passado devido as mudanças do tempo. Um ponto de vista que revisa o passado com objetivo de criar um futuro melhor para nós enquanto africanos, mas primeiramente enquanto seres humanos. Somos uma geração de africanos contemporaneous, e é sobre isso que trata esse projeto: fazer um novo testamento em cima do que grandes mascarados africanos do século XX escreveram no passado. Vemos diferentes tonalidades agora. Percebemos como muito mudou- A regra está mudando e isso afeta até mesmo o plano-mestre da natureza. A juventude deixou de ouvir o disco, agora faz Hip-Hop. Deixou-se de postar cartas, agora é mandar e –mail. Por isso, optamos por falar a língua deles, utilizando a arte como uma ferramenta de lançamento de projetos que tem um alto poder de resolução de problemas conhecidos do mundo atual. Fazer isso através dos meios de comunicação social, indo para as ruas, publicar livros, fazer documentários, televisão, trazê-los de volta para o teatro, etc. “
O resultado da pesquisa está registrado no documentário “Do we need cola-cola to dance?”.
Qudus Onikeku fez parte deste grupo e dia 8 de Junho, estará no espaço Matilha Cultural para conversar com o público, após a projeção do documentário inédito no Brasil.


