
São Paulo, julho de 2010 – Os olhos ágeis do skatista logo reparam no desnível na calçada provocado pelo crescimento da raiz de uma árvore sob o piso, ao lado de uma estrutura de canos de metal que serve para separar os pedestres da movimentada avenida, onde passam carros em alta velocidade. Naquela configuração de metal e concreto, várias possibilidades de manobras que deixam marcas no shape do skate que desliza em plena Avenida Paulista.
A adidas Skateboarding apresenta a mostra Destroy and Create, em cartaz entre os dias 6 de agosto e 3 de setembro, na Matilha Cultural, no Centro de São Paulo. Desenvolvida pela Vista Skateboard Art, com curadoria de Lucas Pexão, Destroy and Create explora a relação dos skatistas com a arquitetura das metrópoles, a destruição inerente à sua prática e o resultado artístico do contato entre a os skates e a cidade. O projeto envolve artistas visuais, fotógrafos, videomakers, skatistas e arquitetos, em um experimento que produz arte e reflexão a respeito da subcultura do skate como forma de expressão gráfica e corporal. Para Tiane Allan, gerente de marketing da adidas Skateboarding, a sinergia de todo o time foi fundamental “ A paixão de todos os envolvidos no projeto fica clara nas imagens que conseguimos captar. Todo o conceito está muito bem amarrado e o resultado não poderia ser melhor.”
Destroy and Create é um processo de criação que será representado não só na Matilha Cultural, mas também em praça pública.
O primeiro mês estará todo concentrado na Matilha Cultural, um centro de cultura independente localizado na região central da cidade de São Paulo e que integra sala de cinema com espaço expositivo e sala multiuso.
A mostra apresenta, lado a lado, shapes, tênis, fotos e vídeos que registram artisticamente o processo de destruição – desde sua utilização como suporte para pintura, passando pela transformação destas obras de arte em skates (com a colocação de eixos, rodas e rolamentos), até a performance de skatistas com as peças, em três sessões realizadas durante o mês de junho. “Escolhemos a Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, justamente por que ela é um ponto de encontro natural dos skatistas da cidade”, afirma Lucas Pexão, curador do projeto. “São trinta fotos de três fotógrafos e 2 vídeos de artistas especialmente convidados para a exposição”, conta.
A Matilha também recebe Vênus, uma escultura criada pelo Coletivo Noh e que serve como obstáculo para skatistas realizarem suas manobras, estabelecendo uma conexão direta entre arquitetura, arte e skate.
“O skate e a street art são duas faces da cultura urbana que evoluíram a ponto de influenciar campos como design gráfico, propaganda, moda e arquitetura”, explica Pexão. “O skatista é um ser criativo, flaneaur contemporâneo que aprecia a arquitetura com o corpo, vaga pela cidade em busca de experiências e, inspirado por essa maneira distinta de usar a arquitetura, se expressa das mais variadas formas”.
Escultura liberada para skatistas
Após um mês de exposição na galeria, a Vênus servirá como molde para uma peça de concreto que será instalada em uma praça, em São Paulo. Em local público, a escultura ficará disponível por pelo menos 30 dias para que skatistas da cidade possam interagir.
Durante o período de exposição, a Matilha Cultural abrigará também ações educativas/reflexivas, com a finalidade de descentralizar o acesso à arte e propor uma experiência positivamente transformadora para jovens carentes e o público em geral. Nas quartas-feiras, 11 e 18 de agosto,as atividades serão dirigidas a jovens da Fundação CASA e outros projetos sociais. Nos sábados, 14 e 21 de agosto, os bate papos serão abertos ao público.
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